Entry: Friday 21:43 Dec 2, 2005



ENTRE MALTES E LÚPULOS...

Fim de ano serve para se regalar. Dentro desta premissa, proporcionei-me alguns regalos dignos de serem comentados e divididos com todos. Vamos à pequena lista das últimas aquisições inéditas à minha coleção:



Maredsous 6 é uma significativa representante das divinas belgas trapistas. Vem da mesma cervejaria/mosteiro da gloriosa Duvel. O preço é tão maiúsculo quanto a qualidade, mas cada centavo se justifica, principalmente ao se comparar o preço ao das cervejas gourmet brasileiras, quase o mesmo. Esta apresentação conta com 6 graus de volume alcóolico [o menor da marca, que conta também com as versões 8 e 10 graus (!!!)]. Trata-se de uma ale de cor avermelhada, aroma intenso e marcante, delicioso. O sabor é muito, muito bom, com retrogosto persistente, amargo no ponto certo e ao mesmo tempo suave. A espuma é consistente para uma cerveja sem pressurização. Em suma: não tem como desgostar.



Beamish Irish Stout, como o próprio nome indica, é uma stout tipicamente irlandesa. Isso significa cor fortemente negra, intenso aroma de café e espuma pressurizada pelo sistema batizado de Floating Widget, cor de creme e consistência incomparável, semelhante à uma mousse de chocolate. O gosto é puro lúpulo, intensamente amargo, de difícil apreciação para os iniciantes. De volume alcóolico baixo - 4,2%, torna-se uma excelente alternativa para quem aprecia uma Guinness.

A Baden Baden Celebration Verão 2006 Weiss (edição limitada de 30.000 garrafas) é a investida da cervejaria de Campos do Jordão no ascendente mercado nacional das sublimes cervejas de trigo. Dessa vou tratar mais detalhadamente abaixo, onde escreverei uma pequena resenha sobre isso.

A Baden Baden 1999 Bitter Ale é uma excelente, grata surpresa. Trata-se de uma feliz tentativa de reproduzir as célebres bitter ales inglesas, um dos melhores tipos de cerveja do mundo. A versão brazuca traz cor de um avermelhado intenso, amargor suave e muito bem controlado, agradável mesmo em maiores temperaturas e no fim do retrogosto e teor alcóolico relativamente baixo, o que colabora ainda mais na drinkability. Fica, por enquanto, como minha sugestão para este ano entre as cervejas da fábrica paulista. Falta provar a cerveja especial de Natal.

Em tempo: já está mais do que na hora de uma fábrica como a Baden Baden investir num site completo, que mostre, promova e descreva todos os seus produtos. Fica aqui o toque.

RESENHA: CERVEJAS DE TRIGO TIPO WEISS DISPONÍVEIS NO MERCADO BRASILEIRO

É com imensa satisfação que presenciei a introdução das cervejas tipo Weiss no mercado nacional, e satisfação maior ainda foi ver que esse mercado cresceu, pegou e vem só aumentando a cada dia. Hoje as opções são numerosas o bastante para que eu possa avaliar uma a uma, elegendo quais são as melhores opções que rodam por aí.
As cinco marcas mais facilmente encontráveis por aí são, respctivamente, a Erdinger, a Bohemia Weiss, a Eisenbahn e, agora, a Baden Baden Celebration Verão 2006. Estas podem ser mais facilmente encontradas aqui na capital mineira, juntamente com o chopp weiss do Krug, outro que será analisado aqui.
Portanto, sem mais delongas, o ranking, na minha opinião, é:

1o lugar: Erdinger

Pode parecer covardia colocar uma cerveja alemã na disputa de cervejas weiss. Afinal, trata-se da mais forte representante do estilo, e proveniente do país de origem da bebida. Mas nem sempre os originais são os melhores. A Erdinger conta com três versões de cerveja de trigo: a weiss clara, a Pikantus e a Dunkel. A primeira é muito boa, a Dunkel, a mais escura das três, quase preta, também é deliciosa. Mas a melhor de todas é a Pikantus, de cor e torrefação intermediária entre as duas anteriores, sabor único e aroma/aspecto/presença veementes. As três são a primeira opção em cerveja weiss por aqui.

2o lugar: Bohemia Weiss

É com grata satisfação que afirmo que esta é minha segunda opção, e que, atualmente, é a cerveja que mais bebo. Dados a sua qualidade, a facilidade de ser encontrada (acho até na venda do portuga no caminho pra casa, já geladinha...) e o preço, disparado o mais acessível de todos, hoje ela é a presença mais constante na minha geladeira e no meu glassware.
A qualidade dessa cerveja é surpreeendente para um produto brasileiro de larga escala. É a mais equilibrada, perfumada, saborosa e madura de todas as cervejas de trigo produzidas no Brasil.

3o lugar: Eisenbahn

A cervejaria de Blumenau produz duas versões da cerveja de trigo: a Weizenbier, clara, e a Weizenbock, que, como o próprio nome indica, é uma bock de trigo, feita com cinco tipos de malte, mais torrada, cor marrom avermelhada, teor alcóolico mais alto - 8% e sabor exclusivo no país. Só por isso já merece um lugar na sua geladeira, porém ambas são de qualidade. A escolha depende do espírito. Vale comentar aqui a significativa melhora nos rótulos, que ficaram muito mais bonitos, diferenciam muito melhor cada tipo de cerveja e ainda contam com sugestões gastrônicas para o acompanhamento de cada uma delas. Bola dentro total. Só acho que deveriam vir em garrafas maiores, não em mirradas long necks...

4o lugar: Chopp Krug Weiss

Este já foi melhor. Atualmente não é servido na temperatura adequada pela casa, e seu preço é salgado como o da Eisenbahn. Aliás a casa, infelizmente, anda declinando no quesito qualidade, o que me deixa muito decepcionado.

5o lugar: Baden Baden Celebration Verão 2006

Muito estranho. Pode ser especificamente o exemplar que bebi (embora acredite que não), pode ser o produto em si. O fato é que o resultado desembocou num lugar diferente. não tem as características típicas de uma cerveja weiss: aroma intenso, perfumado, frutado; gosto típico... não parece nem uma cerveja weiss nem qualquer outro tipo de cerveja. Ficou um frankestein, em outras palavras. Não apreciei em absoluto, mal bebi toda a garrafa e não voltaria a comprar. Uma pena, porque a Bitter Ale é diametralmente oposta.

Ouvindo: The Police - Bring On The Night

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